Transpiração (texto curto)





Desloco me rápido na cidade por meio da força do próprio corpo e transpiro!

Sim, transporto muitas vezes todos esses odores descaracterizados ... Das ruas por onde pedalo ou ando de patins  para as salas onde trabalho ou simplesmente procuro lazer,
 Falando (em linguagem popular, cheiro mal.)

Muitas vezes sou estigmatizado porque vivo no limite (e não muito longe) do anacronismo de um costume e de um sentimento que criámos e que está em consonância com a época em que vivemos... Tecnológica, burocrática, produtora e consumista de ideais baseadas em iconografias.

Infelizmente para mim, nasceu, com o desenvolvimento tecnológico, a simbologia do êxito que se associada à lógica, à racionalidade, à massificação e ao valor da quantidade com qualidade!

...As utopias criaram as cidades ideais e lançaram conjecturas de que poderíamos com esforço ser todos iguais, e que a tecnologia distribuiria as ferramentas necessárias ao óptimo e elevado desenvolvimento humano, e todas essas novas ferramentas e o urbanismo se esvairiam em conforto...

A racionalidade platónica que inventa a excelência e desenvolve conteúdos cria também uma outra nova máquina poderosa, de produção e desenvolvimento do desejo, e trata de criar necessidades e dependências - Chega a publicidade assumida.
Onde por exemplo o ciclista e o patinador urbano não aparecem com a mesma evidencia do condutor charmoso no fantástico automóvel  em cidades vazias.

Será que actualmente a exaustão do vigor da qualidade de todos os produtos que desejamos criar como únicos e em quantidades exageradas justificadoras de lucro, e a distribuir por todos em todos os lugares, encheu-nos e paralisou-nos?
... Parece que somos de facto o resultado da excelência mas também da perversidade, da perfeição e da especialidade que nos suga e dirige para o canal da tirania, da "superlatividade", e também que alguns grupos de produção maciça esgrimem paradoxos e descontextualizações quase desumanas!
 ...Tem sido assim e é quase natural que de há uns tempos para cá resvalemos no excesso e nos afundemos!

Mesmo certo é que suor e o cansaço das laborações agrícolas e campestres deixaram de ter prestigio, a máquina guiada com discernimento ao "toque do dedo" e ao sabor da inteligência virou exemplo das metas contemporâneas...
O transpirar em excesso terá que dar lugar ao suave perfume, e as vestes amarrotadas à camisa alva, limpa, que no branco encontra o seu símbolo.

E porque estipulamos que o suor é algo pejorativo?
Porque os conceitos de Paracelso não vingaram? .
Onde paro nem sempre há chuveiro.

Há torneiras de agua, roupas secas , toalhetes de higiene, mas nunca é suficiente!

Lamentavelmente para nós ciclista urbanos o mito de Titã ofuscou o de Fausto, a mecânica quantitativa de Newton, Copérnico, Aristóteles e Galileu prevaleceu sobre a corrente naturalista, qualitativa e orgânica fundamentada por Paracelso no século XVI e que se perdeu.

Caso contrario, se Paracelso tivesse sido mais convincente! Os signos e os símbolos da corrente naturalista da MÃE natureza prevaleceriam sobres os sistemas do mundo tecnológico... Brrr...

Cheiro muitas vezes  a suor!
A convenção diz que estou errado.
Não é o cheiro a gasolina!
Não é o cheiro a cavalo!
É o cheiro de quem pedala ou corre intensamente ou cava a terra ou puxa uma carroça! :)

Mas nunca ninguém me avisa ! Até os meus amigos comentam mas nunca na minha presença!
(sorriso triste!)

Eu próprio tenho muita dificuldade em dizer a um amigo que está com aquele cheiro característico de quem correu a maratona, para se ir lavar...!
:)
Fixe seria se Perfume fosse sinonimo de Suor e não o seu e os seus antônimo!

Saudações Desportivas
( O que lês-te é parte de um longo texto editado no BiclaLx com o titulo_ "Perfume")
Eliseu

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