Adoro pedalar à chuva

PENSAMENTOS DE UM GAIJO FEIO COM UMA GIRA

Mas que tempo este..!. Não está nada bom para  sair á rua!.... Que mau tempo está hoje!
...e vamos ouvindo estas pequenas frases durante todos os dias em que cai água do Céu....
E que esclamações produzirão os agricultores e a gente do campo...?
Apesar de passar a infância num local de sobrevivência agricola do interior em que as construções eram em pedra e telha vã,  e havia arados e charuas e outras alfaias de lavrar a terra nas ruas e  encostados ás portas dos imensos palheiro de então, hoje transformados em luxuosos turismos rurais e  a  Aldeia classificada de  Histórica e Património de Portugal , já não me recordo o que aqueles homens  vestidos á vaqueiros do oeste argumentavam em dias de chuva...!

Ao padelar debaixo de chuva reparo que a minha boca desenha um largo sorriso  e que atrás dele se esconde uma grande satisfação interior...!
Serei maluco?

Parece que no tempo em que somos um feto no útero materno nos sabe muito bem sentirmo-nos envolvidos pelas águas do saco amniótico!

E quando numa praia reparamos no conforto que os surfista nos transmitem quando se envolvem nas ondas do mar, ou quando simplesmente as esperam, de facto não nos surpreendemos!

Então porque aparece a surpresa quando num dia de muita chuva avistamos um ciclista no meio do trânsito?

E que afectação é essa que se dissimula até nalguma repugnância e desconforto com a humidade e as gotas que caem do céu nos chamados dias chuvosos?

Qual a razão de esquecemos tão rapidamente as origens e criarmos tão empolgante aversão para com esse elemento tão nobre e necessário que nos envolve? Serão os Surfistas doutro planeta?

Bom! Eu sou deste planeta e ando a "bicicletar" à chuva no meio da cidade e dos carros com os seus condutores hermeticamente encerrados e apavorados com o meio exterior!

Confesso que até sinto um certo prazer em contornar, quer física quer emocionalmente, tal pavor à agua que entretanto me acaricia, e porque agradecido nunca a trato com desdém!

Penso que a sensação de há muitos anos quando me chamavam de feto está de volta nestes dias de chuva em que me envolvo de novo com essa primeira matéria… E para não chorar quando rebento as bolsas da letargia em esforços quase sublimes por entre os charcos, poças, humidades, gotas finas ou espessas de agua, só necessito de encontrar o seu contrario no local de chegada… Sim, claro, secar-me.

Quem diz que os dias de chuva são deprimentes? Só porque não há sol a secar-nos a água do corpo ou não sentimos a areia escaldante no interior do fato de banho ou no meio  dos dedos dos pés e das mãos? Isso sim ,  sempre inconfortavel ...Só para dar um exemplo..

Adoro pedalar à chuva , sentir o vento no rosto humido e as gotas a escaparem se quando por meio da velocidade entre os carros de uma rua me enusiasmo a encurtar distâncias...

Obrigado Mãe Água que me dás vida e satisfação..... és um bom simbolo de vitalidade e um maravilhoso elemento da natureza onde quer que estejas e de onde quer que venhas..!
Eliseu33

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