às Mulheres ....

E33 com ar feliz? _ pudera tinha saido há pouco tempo de um jogo de hóquei no gelo em Granada!
Talvez por ser gajo enternece-me  ver as mulheres em movimentos harmoniosos a interagir nos chamados transportes desprovidos de energia  mecânica.
Ou seja, em elementos quer vivos e orgânicos - os equídeos - quer produzidos pela tecnologia - a bicla.
Adoro olhar uma mulher montada num cavalo... É de facto de uma sensibilidade muito grande para o ciclista que vos escreve, mas quando numa bicicleta todas as palavras à frente destas não a conseguem descrever... (sorrisinho maroto)!
Vou tentar descrever o indescritível...
Uma mulher a pedalar é de uma elegância que me deixa boquiaberto, olhando o seu sempre ligeiro movimento rotativo e progressivo...
Mesmo quando sobem por declives que bem pouco tempo antes  ultrapassei, a repousar penso:
- Nunca o fazem dobradas em esforço ou com aquela palermice de gestos desengonçados e quase descoordenados com que o fazem os machos, mesmo se dum velocista homem falarmos.

Uma  mulher ao volante de um carro ou numa mota é vulgar, ultrapassa e até "superlativisa" os cavalheiros (sorriso).
O gesto de pegar no volante e nas “manetes” de velocidade foi criado pelo mundo masculino, só pode. É rude e até agressivo!
De uma verdadeira mulher ao volante recordo com carinho uma senhora que conheci quando jovem, era a madrinha de casamento de um familiar muito próximo, Peixeira em Setúbal, a sua orgulhosa profissão.
Mulher muito activa e desinibida sempre em grande tarefas e objectivos diários inadiáveis como se fosse resolver os problemas do Mundo!
Atravessava nesse tempo a cidade sempre ao volante de um Mercedes ultimo modelo. Por tantos comprar acabaria por se casar com um charmoso director comercial da marca!.
Cá para mim o vigor matinal da Lota criou-lhe arremessos de férrea urbanidade.
Da memória saco que nesses anos era provável que existissem os mesmo engarrafamentos que havia antes destas crises económicas. Talvez por haver menos entradas e saídas da cidade, talvez por as vias existentes estarem ainda carentes dos parcos desenvolvimentos dos engenheiros de tráfego. Talvez porque os veículos motorizados que pelo centro andassem como que sitiados estivessem!
Lembro com um sorriso na recordação os adjectivos injuriosos, o mais machistas que se possa imaginar, que ela lançava indiscriminadamente aos distraídos ou presunçosos condutores da altura, já com as mesmas características dos actuais...
Ainda tenho presente os desenhos que os seus braços e dedos cobertos de anéis, pulseiras e joias de ouro e pedras preciosas, faziam no ar e bem fora da janela. E o som a acompanhar saído da sua orgulhosa atitude...
Palavras feias não se devem dizer ..mas aquelas pareciam bem encaminhadas e que satisfação me dava observá-la!
Hoje, de um modo mais cândido, olho todas as "Marias Bicicleta" com a mesma especulação das mulheres que montam cavalos... A beleza do conjunto é semelhante... Parecem cândidas, modernas, e com toda a suavidade feminina.
Mas sinto saída delas a mesma força no meio do expressivo trânsito urbano em direcção a todos os cantos da cidade, tal como há anos a madrinha dos meus familiares queridos... Os anéis, as pulseiras e os vitupérios transformaram se em suaves ondas de integração e harmonia com as ruas e com os outros veículos, mas a imposição mantém se forte e em inalienável e sedutora sobranceria... Soberania!

Texto teclado em 2014

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