Pela estrada fora


Aqui neste sítio eletrónico com os dedos, e no alcatrão com a borracha das rodas raiadas de uma bicla e com todos os outros elementos apensos, é onde pretendemos desfazer e apagar o mito que compara a nossa Lisboa a um dromedário de sete bossas!

Destacar epopeias épicas para orgulho ufano e gáudio de esporádicos narradores sem nada adiantar ao conhecimento e compreensão da cidade e da bicicleta através dela, está fora de questão.

Descrever experiências onde a bicicleta é o centro da polémica, os seus utentes os gloriosos protagonistas e toda a cidade seu cenário, é algo que nos convence, até excita, e parece-nos que também a todos. (sorrisinho!) Não será?

Como temos dito este local pretende ( agora EliseuBike) dar testemunhos da pratica diária em bicicleta pela cidade.

MAS  HOJE  EXCEPCIONALMENTE  TAMBÉM  PARA  ALEM  DELA!

Vamos então contar uma viagem pela província.

Assim, e agora passo a falar em meu nome, o tipo que assina ai abaixo, vou nestas paginas luminosas descrever algumas cenas, rascunhos de pensamentos, do meu périplo ciclista destas férias.

Segui o concelho da velha frase "Vá de Ferias Cá Dentro" e fui influenciado pelo atual livro de cabeceira "A Volta a Portugal" de Ana Santos, que tive o prazer e a surpresa de receber conjuntamente com um Diploma por ainda me encontrar nos primeiros 70 dos 150 atletas da ultima  subida á Glória! (perdão , não resisti!.. aquilo foi grandioso demais para a minha modéstia!) (outro sorrisinho!)

Dizia que incentivado por estes dois elementos e não pela Volta a Portugal propriamente dita, ou mesmo pelo Giro, que passavam também na televisão em inícios e meio do Verão, resolvi vadiar por parte deste pais.

Alguns Amigos são costumeiros em cá dentro ir para o Algarve ou, os mais "snobs", para a Costa Vicentina, mas esta pessoa que vos dedilha de há uns anos para cá tem sido um fervoroso adepto do pedaleiro nas curtas férias de Agosto.

E desta vez fui também eu até ao Algarve.

E fui de bici, evidentemente.
Mas não tinha 10 dias para fazer uma das 70 voltas ao nosso retângulo que constam da fantástica tese de doutoramento de Ana Santos. Já leram o livro?

Então decidi assim:

Desta vez a diversão, o desporto e a divagação geo-cultural não se passariam nos centros urbanos mas no espaço que os liga. Ou seja o meio era o objetivo, e o términos da etapa mais não era que o local de apoio, de repouso final e claro de alguma distração!

Nas povoações escolheria a dormida muito rapidamente e com uma boa relação preço/ qualidade, depois faria os tradicionais alongamentos e o necessário e saboroso banho, e só então me deslocaria para o alongado JANTARÃO bem merecido.
Depois poderia surgir a volta higiénica e de reconhecimento turístico antes de mergulhar no vale de lençóis!

Descobri esse prazer aquando da primeira Rota de Peregrinação. No Caminho de Santiago Francês, em 1998 - ainda nessa altura Paulo Coelho não tinha celebrizado tal rota provocando-lhe a o atual engarrafamento!

Falar do calor, do esforço, do objetivo, dos centros das aldeias… Da limpeza espiritual que estas corridas connosco nos provocam, da simplicidade e de um modo de vida nómada e peregrino, é me difícil apesar de me ser grato e fácil fazê-lo!

Se lhe disserem: Pare de fazer o que habitualmente faz e vá por esse mundo fora, descubra o que nunca viu e venha dizer-nos o que não conseguimos discernir para lá de todas imagens que diariamente nos enchem os ecrãs. O que faria? É o sonho de qualquer um! Certo?

Se lhe disserem: Grave com imagens e descreva com o coração todas essas emoções que nos dias repetidos não lhe surgem. Era porreiro, não era?

E ainda...Vá, pedale e traga a fatura. Que nós estamos cá para o publicar e aplaudir, para lhe pagar todas as despesas de deslocação e de risco... Sim, há uns sortudos que o ouvem! Todos já lemos nas revistas...

Claro que também há uns que o fazem, ou fizeram, discretamente, como é o caso do meu amigo Ilídio. Vejam "Bacalhau com Todos", é pura poesia!

Não sou desses sortudos porque não tenho a coragem de largar tudo, mas tenho a força para o fazer com intensidade e em curtos períodos!

Sempre me perguntei o que há de motivante e fantástico em estarmos 7 ou 8 horas, tantas como um dia de trabalho, em cima de um selim a pedalar, pedalar, sentir a paisagem a rasar-nos as laterais enquanto o vento nascido do movimento nos bate frontal, os músculos nos pesam e o calor nos arde nas costas?

Nunca respeitei a regra da Sombra Pequena! Até parece que com mais essa dificuldade a meta surge mais azul!

E o que dizer ao entrar numa povoação e procurar o seu centro?
De infância, nos livros de cowboys, fascinava-me esse momento... Em que o pistoleiro com as pistolas no fundo dos coldres! ..eh! Eh!.. aparecia no povoado...!

Só que o ciclista não tem a imponência de uma montada! Entra-se, e se o aglomerado urbano é pequeno é-se de facto olhado, não com receio mas com curiosidade.

Ah!.. mas...

Se estás com o sol a pique na Andaluzia não vês ninguém...! Acredita... Já bati a portas em povoações assim, quando percebi que não havia nem fontes nem bares e que estava muito afastado do próximo povo e sem agua no camelback!.. Bom, historias dramáticas que não conto hoje... Histórias da Via de la Plata!

Procurar o Centro onde tudo é mais provável acontecer, onde de certeza está uma loja ou bar e um belo monumento – Igreja, Pelourinho, Coreto ou Jardim..! E daí assistir ao resumo da vida em cada personagem que desempenha o seu papel social nessa comunidade, o que a vida lhe permitiu. Enquanto nós, neste caso eu, com um liquido que nos deve gelar a mão porque a garganta seca já há alguns km pediu por tão deliciosa tranquilidade, provamos o liquido e saboreamos a vida.

São 3 da tarde, o sol já vai para duas horas que vem fazendo aquela sombra pequena que referi e que a previdência diz que se deve parar e procurar a bela de uma sombra de árvore grande. ...É que a sombra de árvore sabe sempre fazer brisa.

É Agosto, Portugal escalda!

Pena que à distância se sinta o predador dessas muitas Árvores Portuguesas que nesses dias de altas temperaturas de Agosto não podem estar sossegadas. É a nefasta onda cinzenta que vagueia no céu.

E nesse fim de dia, se enquanto faço alongamentos no conforto de um quarto de alojamento ligar a TV, vou perceber que ele também fustiga vidas e ameaça as populações que sempre insistiram em viver próximas dessas queridas árvores e arbustos.

Portugal está a arder. O fogo espalha-se e os impostos aumentam e os salários baixam e os despedimentos e os impostos crescem e a oferta de emprego baixa. A temperatura sobe e sobe...

Uff desligo o ecrã.

E oiça-se o silencio e o rumor dessa nova cidade para alem da janela aberta, já com a nova brisa provocada por uma ventoinha que assiste a um jogo de ténis e faz baloiçar as folhas grandes, brancas, penduradas do varão... Afinal não são folhas, são as cortinas de um cenário que espreita e se mantém para lá da janela..!

A noite é quente, Castelo Branco está na rua, e na primeira pensão em que perguntei se também tinham alojamento para uma bicicleta o sorriso do seu dono surgiu afirmativo e franco, e por 15 euros dormi em lençóis lavados e com uma casa de banho a poucos metros da cama...



Cada um de nós que se mete pela estrada fora tem o seu ritmo e define o seu tempo de pedalar e de descanso. Assim deve ser... O que levo agarrado à bicla é o essencial... Sempre achei um esforço hercúleo depois de pedalar ter que montar uma tenda, mesmo que seja uma daquelas que quando a atirarmos fora (ao ar!) volta já montada! Depois ainda mais admiro aqueles que montam um fogão e elaboram um delicioso prato...


Em Castelo Branco dorme-se bem por 15 euros e janta-se como um príncipe por onze. Não estou a dar a volta ao mundo, então poupo-me em esforços só para pedalar mais ainda. E alem disso são férias... Passar por uma cidade e desfruta-la por tão parca quantia é anestesiante...
E pensar que se não tivesse saído do sofá quando decidi fazer meia volta a Portugal estava agora a ver o País no ecrã a arder e a ouvir os Srs locutores narrarem os erros de muitas "experiências políticas" em que a maioria da população é cobaia!

Assim.

Descobri com a primeira peregrinação a Santiago como libertar a lama usando o corpo como filtro. Para tanto bastava envolver me com a paisagem, desgastar o aparelho que estrutura a minha génese e purifica lo com a energia vinda da água, da terra e do ar... E os pensamentos tornam se simples, e deixas de ser o que não és e voltas a ser os que de facto és...
Será por que há mais de 15 anos todas as manhas me coloco de cabeça para baixo que agora escrevi um texto ao contrario? (o Yoga, senhores(as)!)



Só queria dizer que pedalei de Trás os Montes à pista de gelo de Quarteira com um grande objetivo... Brincar com os meus amigos que por lá também apareceram!... Que complicados que somos para dizer coisas tão simples... Vou começar a colocar me de cabeça para cima!

É que estava marcado um jogo de hockey no gelo na pista do Aquapark de Quartreira, que infelizmente já encerrou!

Boas pedalagens!

E Bem Vindos à Cidade se vierem de bicicleta.! EH! EH!

P.s. : De facto Castelo Branco é Grande...quando encerram pistas quase permanentes, em Castelo Branco faz-se a festa da Cultura e dos Desportos no Gelo... Abre este Domingo uma pista...Mesmo por baixo da Cultura!.. aproveitem e visitem a cidade...vale mesmo a pena ..e alguns dos amantes destes desporto vão estar por lá para vos dar mas dicas da coisa...Apreçam..

Este texto , escrevio há cerca de 4 anos e editei o no BiklaLx
Eliseu

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