Os Homens querem se Feios



Há tempos num post de Facebook Paula B. afirmou que os homens se querem feios... E claro, divaguei...
Ela então sugeriu-me que meditasse e foi o que fiz nessa noite e que aqui vos deixo.

Refleti e acrescento:

:)

Acreditamos que o feio é o oposto de belo, o mau do bom, o fim do principio, a luz das trevas, e por aí fora.

Como se o mundo se pudesse simplificar em princípios maniqueístas. Tal e qual como na nossa infância nos habituamos a olhar o mundo através dos filmes, de um lado o bom e do outro o vilão - Um dualismo demasiado simplista e falso!


"Os homens querem-se feios e a cheirar a cavalo"....! eh! eh!


Mas como por vezes somos seduzidos pelo feio, sempre me pareceu importante meditar no que pensamos ser o seu oposto - o belo.


Os fundamentos de beleza e de harmonia, que se encontram na natureza são depois replicados pelos construtores em moradias, templos, vias, abrigos e fantasias edificadas. Obras de arte projectadas no espaço através do  tempo encontram o seu vocabulário e significado em normas e fundamentos tais como: simetrias, semelhanças, diferenças, contrastes, escala, proporção, ritmo, etc.

Ou seja, os fundamentos de todos os criadores e compositores.


Segundo Santo Agostinho, em cada criatura (bela ou feia) há uma unidade apesar da multiplicidade. Uma unidade entre o Ser e todo o Universo.

Quando olhamos o mar e o céu o nosso cérebro recebe informação e faz a sua leitura e interpretação através dos nossos órgãos sensoriais... Mas a informação e a educação condicionam essa observação, Certo?
Assim se conclui que as ideias de feio, belo, mau, bom, estão sem duvida profundamente associadas à nossa cultura tradição e princípios.


Então nada é absolutamente feio ou relativamente belo - os julgamentos são o resultado de uma cultura e informação!


A nossa moral cristã enraizou dois princípios ontológicos originários: a luz (o bem) e as trevas (o obscurantismo que tende para o mal, para o inferno) – O dualismo simplista com que comecei esta observação gráfica.

Infelizmente esta cultura também nos cegou à multiplicidade, divergência e complexidade.


Pois, o mito de Titã ofuscou o de Fausto, a mecânica quantitativa de Newton, Copérnico, Aristóteles e Galileu prevaleceu sobre a corrente naturalista, qualitativa e orgânica fundamentada por Paracelso no século XVI e que se perdeu.

Caso contrario (se Paracelso tivesse sido mais convincente) os signos e os símbolos da corrente naturalista prevaleceriam sobres os sistemas do mundo tecnológico.

E um homem feio, enlameado na bosta das bestas e a cheirar mal, seria o símbolo e o ícone que superaria os do tipo perfumado, camisa alva e bem penteado...

Sem duvida que prefiro comungar com a mãe natureza, mas há um preço - nem todos(as) gostam do que sai das normas!





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