Percorrer a cidade diariamente de bike



 


  Contar um pouco do dia-a-dia de cada um de nós, que percorremos a cidade diariamente, é também um objetivo que me alicia. 
Compartilhar experiências pode ser-nos útil.

Hoje quando fui almoçar á Ordem dos Arquitectos e  não consegui entrar com a bicicletra à mão e guarda-la no espaço da zona de entrada como habitualmete.. Pensei numa história que escrevi para ai há 4 anos!
Estão curiosos?
!....... A senhora de cabelo altivo e volumoso que julguei ser a diretora do luxuoso lar de idosos da Luz, disse-me de um modo autoritário:

– A bicicleta é para ficar lá fora!

Trazia-a levantada do chão, tal como uma bagagem de mão.

- Lá fora não fica, digo convicto, e reparo quando me aproximo do seu posto de trabalho que a meu lado está outra duas rodas - uma cadeira de rodas dobrada!…

Foi ignição para o desenvolvimento de uma discussão que, há muito, noutras circunstancias, prometi não alimentar.
Mas desta vez foi irresistível, e envolveu citações do código da estrada, ideias futuristas da minha parte e, por fim, a exigência do livro de reclamações… Por aquela senhora fiquei então a saber que a  minha bicicleta era afinal um veiculo e não uma bagagem de mão!

A discussão prolongar-se-ia se não tivesse aparecido o engenheiro, que do alto da sua tranquila e forte calma explicou à funcionaria da receção que o senhor arquiteto ia para uma reunião com ele, e que aquilo era o seu meio de transporte pessoal e inseparável…. Nem foi necessário o paliativo “Doutor” para acalmar a irreverência face à humildade iconográfica de um ciclista!

O Sr. Eng... o Sr. Arq… bastou. Até parece que neste pais um sapateiro não é senhor.

Situações destas acontecem e surpreendem-nos quando menos esperamos, neste caso até porque não era a primeira vez que me deslocava àquele local, e das outras vezes até tinha dialogado afávelmente com outro rececionista, que me contava que ia sempre trabalhar deslocando-se de bina, tal como eu.

Onde deixaria ele a dele?

Nunca lhe perguntei. Mas à BadBoy das outras vezes deixava-a no pátio, sem acesso pelo exterior, como a Doutora não queria! (sorriso malicioso!)…

Como tenho referido, nunca a abandono em locais vulneráveis ou muito afastados da minha observação…
Tive essa preocupação primeiro com a minha filhota, e agora transportei-a para as minhas binas. (sorriso!)

Os acontecimentos ou contratempos urbanos que nos cercam são quase sempre semelhantes.
Até posso juntar a este uma outra adversidade com o qual também somos muitas vezes confrontados!

 Histéoria 2
No mesmo percurso, mas não no mesmo dia, querendo seguir pela Avenida do Colégio Militar e desejando acelerar não fui pela pista ciclável, até porque aquela pista é toda retalhada e com lancis com mais de 3cm, o que incomoda o ciclista de roda fina sem suspensão. 



É sabido que sempre que alguns condutores vêm um raro ciclista seguir pelo alcatrão tendo uma pista  mesmo ao lado, isso lhes provoca muita das vezes grande confusão!…

Aquele condutor de autocarro que apitou, apitou ALTO, à noite. Estava a argumentar algo que me irritou e me pôs a pedalar, perseguindo-o, até o confrontar com as apitadelas.
O condutor falava o português com pronuncia, talvez por ser do País do meu amigo Amdrey (Ucraniano) e para me ouvir teve que tirar os auscultadores dos ouvidos, aí percebi as buzinadelas tão acentuadas.

A discussão sobre o código da estrada quase que me confundiu! …quase que ia ficando a saber que havendo uma pista ao lado de uma via, o ciclista tinha que seguir sempre por ela! …AFINAL agora eu NÃO ERA UM VEÍCULO! para aquele sábio argumentista!

A isto eu ”desargumentava” sempre com os meus 3 mais graves acidentes, todos em pistas cicláveis. (que um dia posso descrever).

Depois percebi que afinal a minha obrigação para andar na pista deve-se a que o erário público gastou uma fortuna em nosso proveito, daí a nossa obrigação. Ou seja: não é uma imposição, mas um dever. (Ciclistas nas pistas cicláveis quando as há, e veículos nas ruas, estradas e auto-estradas) …nada de misturas!

Se me exalto em argumentações, procurando manter a calma e o sentido de humor, acabo sempre por dizer que esses códigos, que lhes servem de argumento e arremesso, um dia, serão a nossa defesa! É isto para a URBI, a FPCUB, a Massa critica … bem como para cada um de nós que utiliza a bicicleta como modo de deslocação. 



Interessante talvez referir que os dois acontecimentos acima descritos, apesar de se passarem no mesmo percurso, aconteceram em dias diferentes. Mas que no dia em que de facto me exaltei com a pseudo directora/recepcionista do luxuoso complexo arquitetónico, quando de regresso a casa, parado na berma contraria à da pista ciclável que sobe pela referida Avenida do Colégio Militar, a teclar uma mensagem SMS ouço atrás de mim 3 suaves apitos…

Ao deslocar o foco de observação em direção ao som, encontro desenhado um enorme sorriso entre dois auscultadores.
Para além dos vidros e do volante, um dedo apontava a pista ciclável e, claro, pensei cá para mim que aquele diálogo dias antes tinha sido profícuo porque não me exaltei para lá da razão.:)

Não tive que o ultrapassar polindo com o dedo ou a mão a superfície metálica do autocarro, humilhando-o, como fazem os Mensageiros Nova Iorquinos. Bastou apanha-lo uns km à frente, impondo a argumentação simpática e a demonstração de tempos semelhantes para meios de deslocação muito diferentes!...

E que apesar de sermos diferentes deveriamos ser respeitados como iguais, certo?

Provar que aqueles objetos, lá por serem puxados por muitos cavalos, não são mais rápidos em curtos e médios percursos do que as bestas dos ciclistas, é já um prémio. 


(Nqueles dias andava bem mais rápido pela cidade... Menos idade ou melhor "montada de aluminio " ?... Pois!)


Lembro-me ainda hoje de alguns textos que me direcionaram o percurso ciclístico.

Se este texto também vos der calma e acuidade de ARGUMENTAÇÃO para situações semelhantes vividas por todos nós, ciclistas urbanos diferentes, já é uma grande satisfação… e é também outro prémio. (piscadela de olho!)


Hoje na Ordem dos Arquitrectos estive a almoçar com a bicicleta no patio , porque na rua onde me propuseram ata-la é que não ia ficar com toda a certeza..... Mas de facto tambèm não vi nenhum outro colega tentar entrar com o carro pelo espaço a dentro.! :) ....Agora reparo que o M.G.D. quando projectou a remodelação dos Banhos de São Paulo não colocou estacionamento enterrado mas um auditéorio! Mas é verdade ou não que Lisboa está cheio de estacionamentos enterrados e porque ainda não se começou a exigir nos edificios publicos  espaços na entrada ( basta 5 m2) para quardarmos as nossas companheiras diárias.... Ou vou ter que ansar de bicicleta partilhada para pedalar descansado?
As fotos são da minha saudosa BaeBoy roubada roubada a dois metrosw de mim enquento telefonava!

BOAS CURVAS

Obs: 
Os detalhes da bicicleta que podem ver nas  imagens pertencem a uma BadBoy da Cannonale.... Ela pedalava diáriamente comigo no corpo e no coração  ;)
...Foi roubada dia 31 de Dezembro 2016 à porta do Galeto ( es estava a um metro e meio..só que ao telemovel a falar de Hóquei no Gelo ....! Pois!

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