Linhas Brancas


É sempre 1ma linha desenhada a branco que separa um horizonte que desejamos possuir ou modificar do espaço próximo que já alterámos deste lado!

É sempre 1ma linha (semelhante  a da imagem) que nos limita e pretende proibir que nos afastemos para o lado de lá, que é quase sempre o local de devaneio das nossas suposições quando a cadencia se torna constante, quase monótona e confortável...

É 1ma linha sem fim ou que nem se pretende calcular, mas sabemos que seguindo-a encontramos um objectivo ou um suposto sonho...

Do lado onde ela se inicia há sempre um ruído ou por vezes um desespero que pode ser tangente!

É quase sempre a pressa e a urgência de uma ultrapassagem... São os nosso monstros vigorosos mas traiçoeiros vindos pelas costas como os cobardes!

Se do seu inicio e para um dos lados o perigo nos pisca o olho, nos acaricia e afaga, do outro nasce a fantasia e o desejo de mudança que o imaginário da viagem nos dá!

De 1 dos lados ou nos surge a tempestuosa e relevante irregularidade monumental de múltiplos ou raros relevos ou um ténue ou acentuado contraste com a quietude plana, simples e profunda, como a de Trás os Montes ou Alto Douro.

Texturas, luz e cores misturam se com os desvios do olhar, e surpreende-nos o conforto da frescura numa sombra sobre a estrada quando atravessamos as tórridas planícies do Ribatejo.

O que há de comum entre a macieza das folhas que o vento movimenta e o pensamento errante, quer no Norte, quer no Sul?

E não haverá uma grande diferença entre andar na Montanha ou na Estrada?
Sim, claro que há.
Se numa a mobilidade, o rigor físico e as cores se unem, na estrada a mobilidade é o limite.

Se na montanha o céu e a terra nos envolvem... Na estrada é a cadência e a distância que fazem essa constante que importa ter.
Mas é a excitação e a surpresa que nos move em ambas.

Por vezes cismo, outras penso que não penso em nada... Até ás vezes julgo que sou a natureza e só acordo com o ruído fresco do vento a passar pelo corpo suado.
Com a idade optei pela pedalada permanente e pelo inevitável e esperado cansaço lento e deixo para o local onde ficam as recordações a explosão, a energia e os trilhos de paisagens virgens e naturais.
Penso assim no tempo dilatado enquanto pedalo na Nacional 4 ou na Nacional 222 :)


Reflexões  de um ciclista enquanto pedala nas Nacionais e sobrevive :)
Agosto 2015

Obs: Curioso!.....Em toda a minha carreira de arquitecto tenho sido eu a definir as linhas!.... Agora como ciclista e nas nacionais são "essas linhas brancas e infinitas" que me tem guiado (desenhado) o percurso  :)..!

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