Sair de 4 paredes , ir por a Cidade sem distino .. ENTRAR nas emoções, atravessar uma Alameda seguir uma direção, e depois parar num jardim, beber uma taça numa esplanada... Fazer uma curva apertada, ter um arrepio, um Conforto Desconformado mas BEM FORMADO, escutar um sussurro do Tejo e de repente outro desvio tangencial ...Rasar um novo buraco! Ter uma vista súbita, uma travagem apressada e uma descida arrepiante, uma CURVA, uma ultrapassagem....outra acelaração!...travagem..derrapagem.
E outra ultrapassagem ou um vermelho que se para..  . ...depois encontrar um Destino.
Um "Ola" e um sorrisso de uma criança para um ciclista.
Sair do slim acelarar por a Avenida acima porque um colega nos deixou para traz..... ir para a frente de um consolo, olhar um edificio surpreendente de muitos passsados. uHmmm! - "Nunca o tinha espreitado por entre os barulhos da cidade"!
..olhar ... Ver e ATRAVESSAR o OLHAR por fora das janelas, devolver um desgosto, sair duma RUA e ESCUTAR o barulho de um beco vazio e mais á frente a repreensão de um Policia e DEPOIS passar no meio de muitos ...MUITOS carrros.
CANSADO....deitares-te na relva com muito céu por cima e sol pelo meio e sentir a Cidade e á noite gingar em contramão por entre as Estrelas caidas do Céu, atravessar circunsrtancias...!


Obrigado Companheira... fiz um esforço para te restaurar mas voltaste a dar me as Noites e os Dias .... as transparências cresceram os tédios diminuiram e a Cidade alargou-se...as horas estão maiores....
Obrigado Velhota


   Ainda sem meios digitais desenhava se, destraida e displicentamente não como um fim mas apenas como um meio para atingir outros objetivos ..



































Curtiram estes  registos  em blocos de notas  já muito antigos ?
Abraço
Eliseu33

Aqui neste sítio eletrónico com os dedos, e no alcatrão com a borracha das rodas raiadas de uma bicla e com todos os outros elementos apensos, é onde pretendemos desfazer e apagar o mito que compara a nossa Lisboa a um dromedário de sete bossas!

Destacar epopeias épicas para orgulho ufano e gáudio de esporádicos narradores sem nada adiantar ao conhecimento e compreensão da cidade e da bicicleta através dela, está fora de questão.

Descrever experiências onde a bicicleta é o centro da polémica, os seus utentes os gloriosos protagonistas e toda a cidade seu cenário, é algo que nos convence, até excita, e parece-nos que também a todos. (sorrisinho!) Não será?

Como temos dito este local pretende ( agora EliseuBike) dar testemunhos da pratica diária em bicicleta pela cidade.

MAS  HOJE  EXCEPCIONALMENTE  TAMBÉM  PARA  ALEM  DELA!

Vamos então contar uma viagem pela província.

Assim, e agora passo a falar em meu nome, o tipo que assina ai abaixo, vou nestas paginas luminosas descrever algumas cenas, rascunhos de pensamentos, do meu périplo ciclista destas férias.

Segui o concelho da velha frase "Vá de Ferias Cá Dentro" e fui influenciado pelo atual livro de cabeceira "A Volta a Portugal" de Ana Santos, que tive o prazer e a surpresa de receber conjuntamente com um Diploma por ainda me encontrar nos primeiros 70 dos 150 atletas da ultima  subida á Glória! (perdão , não resisti!.. aquilo foi grandioso demais para a minha modéstia!) (outro sorrisinho!)

Dizia que incentivado por estes dois elementos e não pela Volta a Portugal propriamente dita, ou mesmo pelo Giro, que passavam também na televisão em inícios e meio do Verão, resolvi vadiar por parte deste pais.

Alguns Amigos são costumeiros em cá dentro ir para o Algarve ou, os mais "snobs", para a Costa Vicentina, mas esta pessoa que vos dedilha de há uns anos para cá tem sido um fervoroso adepto do pedaleiro nas curtas férias de Agosto.

E desta vez fui também eu até ao Algarve.

E fui de bici, evidentemente.
Mas não tinha 10 dias para fazer uma das 70 voltas ao nosso retângulo que constam da fantástica tese de doutoramento de Ana Santos. Já leram o livro?

Então decidi assim:

Desta vez a diversão, o desporto e a divagação geo-cultural não se passariam nos centros urbanos mas no espaço que os liga. Ou seja o meio era o objetivo, e o términos da etapa mais não era que o local de apoio, de repouso final e claro de alguma distração!

Nas povoações escolheria a dormida muito rapidamente e com uma boa relação preço/ qualidade, depois faria os tradicionais alongamentos e o necessário e saboroso banho, e só então me deslocaria para o alongado JANTARÃO bem merecido.
Depois poderia surgir a volta higiénica e de reconhecimento turístico antes de mergulhar no vale de lençóis!

Descobri esse prazer aquando da primeira Rota de Peregrinação. No Caminho de Santiago Francês, em 1998 - ainda nessa altura Paulo Coelho não tinha celebrizado tal rota provocando-lhe a o atual engarrafamento!

Falar do calor, do esforço, do objetivo, dos centros das aldeias… Da limpeza espiritual que estas corridas connosco nos provocam, da simplicidade e de um modo de vida nómada e peregrino, é me difícil apesar de me ser grato e fácil fazê-lo!

Se lhe disserem: Pare de fazer o que habitualmente faz e vá por esse mundo fora, descubra o que nunca viu e venha dizer-nos o que não conseguimos discernir para lá de todas imagens que diariamente nos enchem os ecrãs. O que faria? É o sonho de qualquer um! Certo?

Se lhe disserem: Grave com imagens e descreva com o coração todas essas emoções que nos dias repetidos não lhe surgem. Era porreiro, não era?

E ainda...Vá, pedale e traga a fatura. Que nós estamos cá para o publicar e aplaudir, para lhe pagar todas as despesas de deslocação e de risco... Sim, há uns sortudos que o ouvem! Todos já lemos nas revistas...

Claro que também há uns que o fazem, ou fizeram, discretamente, como é o caso do meu amigo Ilídio. Vejam "Bacalhau com Todos", é pura poesia!

Não sou desses sortudos porque não tenho a coragem de largar tudo, mas tenho a força para o fazer com intensidade e em curtos períodos!

Sempre me perguntei o que há de motivante e fantástico em estarmos 7 ou 8 horas, tantas como um dia de trabalho, em cima de um selim a pedalar, pedalar, sentir a paisagem a rasar-nos as laterais enquanto o vento nascido do movimento nos bate frontal, os músculos nos pesam e o calor nos arde nas costas?

Nunca respeitei a regra da Sombra Pequena! Até parece que com mais essa dificuldade a meta surge mais azul!

E o que dizer ao entrar numa povoação e procurar o seu centro?
De infância, nos livros de cowboys, fascinava-me esse momento... Em que o pistoleiro com as pistolas no fundo dos coldres! ..eh! Eh!.. aparecia no povoado...!

Só que o ciclista não tem a imponência de uma montada! Entra-se, e se o aglomerado urbano é pequeno é-se de facto olhado, não com receio mas com curiosidade.

Ah!.. mas...

Se estás com o sol a pique na Andaluzia não vês ninguém...! Acredita... Já bati a portas em povoações assim, quando percebi que não havia nem fontes nem bares e que estava muito afastado do próximo povo e sem agua no camelback!.. Bom, historias dramáticas que não conto hoje... Histórias da Via de la Plata!

Procurar o Centro onde tudo é mais provável acontecer, onde de certeza está uma loja ou bar e um belo monumento – Igreja, Pelourinho, Coreto ou Jardim..! E daí assistir ao resumo da vida em cada personagem que desempenha o seu papel social nessa comunidade, o que a vida lhe permitiu. Enquanto nós, neste caso eu, com um liquido que nos deve gelar a mão porque a garganta seca já há alguns km pediu por tão deliciosa tranquilidade, provamos o liquido e saboreamos a vida.

São 3 da tarde, o sol já vai para duas horas que vem fazendo aquela sombra pequena que referi e que a previdência diz que se deve parar e procurar a bela de uma sombra de árvore grande. ...É que a sombra de árvore sabe sempre fazer brisa.

É Agosto, Portugal escalda!

Pena que à distância se sinta o predador dessas muitas Árvores Portuguesas que nesses dias de altas temperaturas de Agosto não podem estar sossegadas. É a nefasta onda cinzenta que vagueia no céu.

E nesse fim de dia, se enquanto faço alongamentos no conforto de um quarto de alojamento ligar a TV, vou perceber que ele também fustiga vidas e ameaça as populações que sempre insistiram em viver próximas dessas queridas árvores e arbustos.

Portugal está a arder. O fogo espalha-se e os impostos aumentam e os salários baixam e os despedimentos e os impostos crescem e a oferta de emprego baixa. A temperatura sobe e sobe...

Uff desligo o ecrã.

E oiça-se o silencio e o rumor dessa nova cidade para alem da janela aberta, já com a nova brisa provocada por uma ventoinha que assiste a um jogo de ténis e faz baloiçar as folhas grandes, brancas, penduradas do varão... Afinal não são folhas, são as cortinas de um cenário que espreita e se mantém para lá da janela..!

A noite é quente, Castelo Branco está na rua, e na primeira pensão em que perguntei se também tinham alojamento para uma bicicleta o sorriso do seu dono surgiu afirmativo e franco, e por 15 euros dormi em lençóis lavados e com uma casa de banho a poucos metros da cama...



Cada um de nós que se mete pela estrada fora tem o seu ritmo e define o seu tempo de pedalar e de descanso. Assim deve ser... O que levo agarrado à bicla é o essencial... Sempre achei um esforço hercúleo depois de pedalar ter que montar uma tenda, mesmo que seja uma daquelas que quando a atirarmos fora (ao ar!) volta já montada! Depois ainda mais admiro aqueles que montam um fogão e elaboram um delicioso prato...


Em Castelo Branco dorme-se bem por 15 euros e janta-se como um príncipe por onze. Não estou a dar a volta ao mundo, então poupo-me em esforços só para pedalar mais ainda. E alem disso são férias... Passar por uma cidade e desfruta-la por tão parca quantia é anestesiante...
E pensar que se não tivesse saído do sofá quando decidi fazer meia volta a Portugal estava agora a ver o País no ecrã a arder e a ouvir os Srs locutores narrarem os erros de muitas "experiências políticas" em que a maioria da população é cobaia!

Assim.

Descobri com a primeira peregrinação a Santiago como libertar a lama usando o corpo como filtro. Para tanto bastava envolver me com a paisagem, desgastar o aparelho que estrutura a minha génese e purifica lo com a energia vinda da água, da terra e do ar... E os pensamentos tornam se simples, e deixas de ser o que não és e voltas a ser os que de facto és...
Será por que há mais de 15 anos todas as manhas me coloco de cabeça para baixo que agora escrevi um texto ao contrario? (o Yoga, senhores(as)!)



Só queria dizer que pedalei de Trás os Montes à pista de gelo de Quarteira com um grande objetivo... Brincar com os meus amigos que por lá também apareceram!... Que complicados que somos para dizer coisas tão simples... Vou começar a colocar me de cabeça para cima!

É que estava marcado um jogo de hockey no gelo na pista do Aquapark de Quartreira, que infelizmente já encerrou!

Boas pedalagens!

E Bem Vindos à Cidade se vierem de bicicleta.! EH! EH!

P.s. : De facto Castelo Branco é Grande...quando encerram pistas quase permanentes, em Castelo Branco faz-se a festa da Cultura e dos Desportos no Gelo... Abre este Domingo uma pista...Mesmo por baixo da Cultura!.. aproveitem e visitem a cidade...vale mesmo a pena ..e alguns dos amantes destes desporto vão estar por lá para vos dar mas dicas da coisa...Apreçam..

Este texto , escrevio há cerca de 4 anos e editei o no BiklaLx
Eliseu
E33 com ar feliz? _ pudera tinha saido há pouco tempo de um jogo de hóquei no gelo em Granada!
Talvez por ser gajo enternece-me  ver as mulheres em movimentos harmoniosos a interagir nos chamados transportes desprovidos de energia  mecânica.
Ou seja, em elementos quer vivos e orgânicos - os equídeos - quer produzidos pela tecnologia - a bicla.
Adoro olhar uma mulher montada num cavalo... É de facto de uma sensibilidade muito grande para o ciclista que vos escreve, mas quando numa bicicleta todas as palavras à frente destas não a conseguem descrever... (sorrisinho maroto)!
Vou tentar descrever o indescritível...
Uma mulher a pedalar é de uma elegância que me deixa boquiaberto, olhando o seu sempre ligeiro movimento rotativo e progressivo...
Mesmo quando sobem por declives que bem pouco tempo antes  ultrapassei, a repousar penso:
- Nunca o fazem dobradas em esforço ou com aquela palermice de gestos desengonçados e quase descoordenados com que o fazem os machos, mesmo se dum velocista homem falarmos.

Uma  mulher ao volante de um carro ou numa mota é vulgar, ultrapassa e até "superlativisa" os cavalheiros (sorriso).
O gesto de pegar no volante e nas “manetes” de velocidade foi criado pelo mundo masculino, só pode. É rude e até agressivo!
De uma verdadeira mulher ao volante recordo com carinho uma senhora que conheci quando jovem, era a madrinha de casamento de um familiar muito próximo, Peixeira em Setúbal, a sua orgulhosa profissão.
Mulher muito activa e desinibida sempre em grande tarefas e objectivos diários inadiáveis como se fosse resolver os problemas do Mundo!
Atravessava nesse tempo a cidade sempre ao volante de um Mercedes ultimo modelo. Por tantos comprar acabaria por se casar com um charmoso director comercial da marca!.
Cá para mim o vigor matinal da Lota criou-lhe arremessos de férrea urbanidade.
Da memória saco que nesses anos era provável que existissem os mesmo engarrafamentos que havia antes destas crises económicas. Talvez por haver menos entradas e saídas da cidade, talvez por as vias existentes estarem ainda carentes dos parcos desenvolvimentos dos engenheiros de tráfego. Talvez porque os veículos motorizados que pelo centro andassem como que sitiados estivessem!
Lembro com um sorriso na recordação os adjectivos injuriosos, o mais machistas que se possa imaginar, que ela lançava indiscriminadamente aos distraídos ou presunçosos condutores da altura, já com as mesmas características dos actuais...
Ainda tenho presente os desenhos que os seus braços e dedos cobertos de anéis, pulseiras e joias de ouro e pedras preciosas, faziam no ar e bem fora da janela. E o som a acompanhar saído da sua orgulhosa atitude...
Palavras feias não se devem dizer ..mas aquelas pareciam bem encaminhadas e que satisfação me dava observá-la!
Hoje, de um modo mais cândido, olho todas as "Marias Bicicleta" com a mesma especulação das mulheres que montam cavalos... A beleza do conjunto é semelhante... Parecem cândidas, modernas, e com toda a suavidade feminina.
Mas sinto saída delas a mesma força no meio do expressivo trânsito urbano em direcção a todos os cantos da cidade, tal como há anos a madrinha dos meus familiares queridos... Os anéis, as pulseiras e os vitupérios transformaram se em suaves ondas de integração e harmonia com as ruas e com os outros veículos, mas a imposição mantém se forte e em inalienável e sedutora sobranceria... Soberania!

Texto teclado em 2014

Desde que me tornei adepto dos meios de mobilidade urbana ditas suaves, nunca interpretei Lx como uma cidade difícil de nos deslocarmos. A tal das muitas colinas.
Até porque comecei primeiro a andar em Lisboa em patins, influenciado pelas sextas à noite do "Randonnées" de Paris, que como sabem reúne todas as sextas-feiras no mínimo 5.000 patinadores.

Num certo Verão, comigo presente, contaram-se até 10.000 entusiasmados e loucos patinadores, com escolta de policia de patins e de mota à frente a interromper o transito para a passagem segura desta enorme massa.
Imaginam o desespero de quem fica transversalmente agarrado a um volante numa sexta à noite a ver passar dez mil patinadores cheios de satisfação e euforia?

Juntamente com o grande Tó-Slalon o Guilherme e  alguns alunos de Urbanismo da Faculdade de Arquitectura que se voluntarizaram ao projecto, tentamos trazer este evento para Portugal. Estávamos em 1997(?)
 Agora_todas Sextas_21horas_junto ao
 McDonald_Campo Pequeno
 Não funcionou!… inércia desportiva ou ingenuidade da nossa parte! Os dois cartazes da imagem são dessa época...tem 19 anos :)
E assim, antes de perceber que andar  de bicicleta em Lisboa era fácil, andei de patins.

Irritavam-me as irregularidades das calçadas e deslocava-me sempre no alcatrão, rápido aprendi a saltar do passeio para o alcatrão. Ainda não se sabia que os lancis nos passeios, e nomeadamente junto às passadeiras, dificultam a circulação de cadeiras de rodas ou carrinhos de bebes ou de compras!Outros tempos!

As rampas, entre as muitas superfícies planas que a cidade possui, eram atravessadas por meios mecânicos públicos, ou dito de outro modo, autocarros, metro ou elétricos. Andar no meio dos carros é ter necessidade de ter radares em todas a direções, e quanto mais móvel e flexível, mais seguros nos tornamos.
A adrenalina como calculam tem que estar a 100%, tipo alleycat.

Umas rodas grandes, uns pedais ligados a uma corrente, e ainda o auxilio de umas mudanças de desmultiplicação, tornam o ciclismo nesta cidade dita de colinas muito fácil.
Entretanto Lisboa tornouse mais plana! ...o piso está ao nivel das melhores cidades  europeias e o perconceito "colinomania" diminuiu de frequencia !
Agora...Em 2016 temos um outro grupo a formar-se para promover uma verdadeira ....ROLLER FEVER _.Encontros e ronda nocturna urbana de patins em linha....
"vamos meter Lisboa a apaixonar-se pela patinagem urbana".  diz  nos Miguel Resende a sorrir!

A partir de Março de 2017 quando deixar de chover e de fazer frio vamos voltar ao asfalto.
O projecto consiste :
Já foi_Sextas _ 21horas
Junto ao

 McDonald
Campo Pequeno
 _ Todas as sexta Feira pelas 21 horas juntar Patinador próximo do novo McDonald do Campo GRANDE..(a meio do parque _ junto ao lago) e divertir mo -nos patinando.

.... Promovem o Evento.. Miguel Resende, Carlos Saraiva, Rodrigo Rubio, Francisco Belini, Enzo, Eliseu, Alexandra Matos Reis, Miguel Candeias.


AGORA É NO GALETO...amanhã   não sei !:)

Vou tentar explicar porque ando em contra-mão e passo sinais vermelhos.
Pois! :)
Uma nova trindade parece que está em jogo nos conceitos sociais: os tradicionais valores europeus de liberdade, igualdade e fraternidade foram substituídos no século XXI por conforto, segurança e sustentabilidade.
Pelo menos é o que nos diz Ren Koolhas e eu comungo, também quando põe em causa as cidade ditas inteligentes e os sistemas de segurança integrados.
O ser humano parece que criou um ideal baseado numa ordenação de valores estruturantes onde a liberdade e a responsabilidade descaracterizam  qualquer procedimento utópico ou mesmo consciente mas que esteja  para alem da sua possibilidade e depois  os transformam em valores sociais . E ai de quem os questione!


Então  porque ando em contra-mão e passo vermelhos?
Porque incorro nestas infrações inquestionáveis avessas da razão e mais próximas da emoção inconsciente?

Já está a franzir a testa e nem leu até ao fim!
Dê me uma oportunidade para explicar ..s.f.f... :)

Não passo um vermelho ou ando num sentido proibido (em rua calma) no espaço estanque entre duas liberdades opostas, mas naquela área entre duas responsabilidades que a fragilidade de um ciclista deve aproximar e que deve ser-lhe permitida.

Deve ou não a nossa liberdade perpetuar-se na sensibilidade e inteligência de todos sem que as regras criadas para o êxito deste consenso nos restrinjam?
Sim... Não... Talvez?


Pois faço-o com uma razão! Porque me parece que ao cometer estas atrocidades ao código da estrada estou a ser super consciente e seguro não incomodando senão o espírito formatado em regras inquestionáveis de alguns condutores automobilísticos mais sitiados nos formalismos e conceitos enraizados.

É evidente que as regras do código da estrada têm que ser conhecidas por todos e cumpridas. Sobretudo por todos os condutores com veículos que se deslocam através da força motora.
O seu incumprimento tem um risco e uma pena.
Acho bem!
Que penalização e condenação deve ser aferida ao ciclista?

São de facto dois incumprimentos muito desiguais, mas que pagamos caro qualquer que seja a desobediência aos códigos desenvolvidos nos mais de 100 anos da evolutiva tecnologia automóvel.
Pagamos com a incompreensão, a critica, a indignação e a reprovação por vezes muito feroz.

Não somos veículos sem motor como nos querem fazer crer...
Somos pessoas (peões) que nos movimentamos com a nossa força física, a destreza do corpo como quem anda ou corre, só que usando um auxiliar que, apesar de mecânico, é leve e sem um motor que auto movimenta uma estrutura pesada e que na cidade ocupa sempre mais de 5 metros quadrados de área - o espaço mínimo de implantação dos chamados veículos automóveis!

Não temos áreas nem grandes volumes a transportar!
Chateia-o ver passar um peão pela passadeira com sinal vermelho quando está a rua deserta?

E um ciclista com a bicicleta pela mão?... Já não está tão seguro!..

Defendo que todos os utentes do espaço urbano que se movimentam na cidade devem ter como código o uso das 5 elementares regras cedidas pelos 5 sentidos.
Passas os vermelhos, é incompreensível, dizem me os amigos!...

Só cumpres as regras que te convêm! Se tens direitos tens que ter deveres perante terceiros... argumentam ainda os meus amigos e conhecidos, ou algum policia quando me apanha a infringir!..

E eu calmamente tento explicar a razão desta minha atitude que fui criando na deslocação diária de bicicleta em meio urbano e que se transformou numa postura, na minha perspetiva, sensata e ponderada.
Vamos então a uma breve descrição (significativa!)


SINAIS COLORIDOS

Determinar o tempo e o nosso modo de reagir não com o que os sinais nos indicam mas de acordo com a oportunidade (bom, isto fica entre nós!)...

"Olhemos com atenção todos os movimentos da cidade sem nunca nos fixarmos na sinalética"

Vejo muitas vezes ciclistas e automobilistas que "passaram no código" com os olhos fixos no semáforo. Só à espera da permissão do verde! E automaticamente arrancam, cegos, com a passagem do vermelho ao verde.

Um ciclista, como já referi, não transporta toneladas, nem tem um motor poderoso e uns travões ABS!
Pedalo, penso e aconselho-me: "Segue prudente, destemido(a), determinado(a), usa sempre a cautela como companheira, o capacete como acessório e a mão na manete da tua segurança: o travão".

Temos sorte por Lisboa não ser como Xangai ou Londres.
Londres a cidade onde vi uma grande quantidade de biclas brancas.
Em muitos cruzamentos confrontamos-nos com esses monumentos de consternação e de aviso de quem desejou preservar a memória do ciclista injustamente e fatalmente acidentado.

Leu acronica Bicicletas Brancas de Londres?
Do Oriente vem a construção da massa critica - a única maneira de juntos imporem um direito.

Repito para mim com tranquilidade: “Podes passar vermelhos, andar em sentidos contrários, mas deixa sempre passar tranquilamente o cidadão que se desloca a pé”.
A prioridade deve ser cedida sempre ao mais fraco.

Imagino que no futuro o ciclista terá prioridade sobre qualquer veiculo motorizado e nenhuma sobre o peão!
O Tempo virá conciliar verdades e incertezas!


25 de Abril de 2015 (quando escrevi a crónica!).
Salgueiro Maia (Capitão de Abril sob o comando de quem ainda tive o prazer de estar alguns anos depois da data histórica de Abril, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém) quando se dirigia com a sua unidade pesada para Lisboa com o objetivo de derrubar o regime de Marcelo Caetano parava nos vermelhos e esperava pelo sinal verde...
E esta, heim?


Quem terá sido que um dia me disse: "Respeita o vermelho mas insurge te sempre contra a tirania do habito e da certeza” ...Que é ao fim e ao cabo o Vermelho como símbolo do Proibido.
Contraditório, ?

Tenho para mim que os constantes conflitos dos opostos se harmonizarão no tempo sem ter que passar pelos aforismos de Heraclitus ou pelo dialetismo de Grham Priest!

O Big Brother de George Orwell há muito que é uma realidade, basta perceber o nosso interesse pelas casas dos segredos para perceber que observar a casa da vizinha, julgarmos e votarmos com os nossos juízos de valores a vida dos outros, se tornou um acto trivial.

Se entrámos na era da contradição, da densidade, da velocidade, com o valor da vida humana refém da sublimação das experiências sensoriais, também se reestruturou e alterou a ordem espaço temporal, talvez glorificando o tempo em prejuízo do espaço que o sujeito já não ocupa porque se dissipam os lugares.
Atualmente até para um museu ou escola não é fundamental que o seu espólio ou função se desenvolva num espaço físico!

Cada vez mais também ocupamos e dignificamos o nosso espaço mental e definimos a nossa personalidade.

Há tempos, num canal de televisão talvez a propósito do terrorismo que já está dentro da nossa sociedade e não vem de fora, um teólogo da igreja católica criticava a frase mais emblemática e que sempre me irritou a propósito da liberdade.

Chamava a atenção para que a nossa liberdade, dignificação do sujeito como ser, não termina quando começa a liberdade do outro, mas propaga-se infinitamente. Até para que o outro possa comungar da liberdade de cada um e cada um da liberdades de todos.

É um conceito que deita por terra o julgamento de quem está confortavelmente sentado num automóvel com o motor à espera do verde para acelerar repentinamente e se irrita com o ciclista que calmamente passou o vermelho porque não olhou para o sinal mas sim para a oportunidade!


O que gosto de sentir nos voluntários do Refood ou da Vida e Paz não é só a sua misericordiosa bondade para com os mais fracos, que surge sempre através de um forte preconceito, mas a consciência da vulnerabilidade humana.

Dignifiquemos de novo a Liberdade e a Responsabilidade agora com o auxilio do bom senso :)
 Foi difícil de entender?...! Ok, não estás de acordo_ Respeito :)


OBS: Quando na cidade formos mais que os automóveis...Então ai ...resigno me :)

Saudações Desportivas
Eliseu

Andei a enganar os meus Amigos durante estes últimos 7 anos com passeios de bicicleta ao dizer que Lisboa é quase plana, que só tínhamos que conhecer o relevo e ligar os sítios pelas inclinações mais suaves das superfícies da sua bela e suave morfologia...
E referia sempre com convicção que andar no meio dos carros é tranquilo e seguro!
Tudo mentira...
Lisboa é dura de pedalar, difícil e perigosa!
O pior de tudo ainda é o seu quase incontornável relevo...
Se vais dos vales para os planaltos e procuras as subidas suaves vais ter que pedalar durante muito tempo e vão-te sair na rifa sempre os mesmos percursos...
Uma canseira e uma seca!
Claro que usei os mais arrojados pretextos e divagações para tentar ludibriar os convidados dos meus passeios, mas a maioria desconfiava e mandava "bocas". Até atiravam sorrisos irónicos ao meu árduo trabalho...
Sim, nem calculam a frustração e trabalheira de planificar ingloriamente a velha Cidade que abraça o TEJO com trajetos (as rotas) que a meus olhos pareciam planos...
Claro, tinha que engolir toda a incerteza e sarcasmo dos amigos.... Pois, pois. Os meus amigos e convidados tinham razão!
O que é curioso é que de tanto mentir e omitir, quase me convenci de que Lisboa é de facto uma cidade fácil para pedalar! Um local muito aprazível e de nível...
Falso.
Bom... Com as elétricas... AS GIRAS que estão agora POR AI... estou a descobrir que os Lisboetas afinal não são preguiçosos. São é vaidosos, gostam de chegar aos seus locais de compromisso bem apresentados, quer de roupa quer de modo de deslocação.
Se chegarem de Rolls-Royce Phantom tanto melhor...
Suor é algo que destrói a imagem  E estão a aderir a estas biclas que não dão canseira nenhuma.
...Com as GIRAS até a minha geografia de percursos mudou radicalmente...
Com elas na força 5 estou sempre a pensar no percurso mais curto, que mais suba e menos desça.(Adoro subir de GIRA!).
É precisamente tudo ao contrario da minha forma de pensar sempre que planeava um passeio e fazia os intermináveis reconhecimentos!
Estas bicicletas partilhadas que se estão a implantar na cidade - as GIRAS - estão a fazer milagres e vão mudar o paradigma que se entranhou no mais intimo de todos os Lisboetas e que me irritava ao ponto de berrar que eram todos uns preconceituosos.

Eliseu33