Berlim, NY, Paris, Barcelona, Roma, Helsínquia, Maputo, Joanesburgo, etc... conhecem?

Sim, andei por lá, mas será que conheço?

No entanto tenho quase a certeza que a nossa rua nos é desconhecida!

Quero conhecer quem nunca vi, mas agora também o que nunca conheci na minha cidade!

Durante todo o tempo que já levo de vida, tenho me cruzado com viajantes eternos, provisórios e ocasionais... De todos os que mais me fascinaram foram sempre os que não iam para lado nenhum mas já tinham viajado por quase todo o lado (ou vindo de quase todo o lado!)

Viajar é também sonhar, sentir que se sai de um lugar e se descobre um outro local desconhecido...


Há já uns anos que acalmei a febre de passar fronteiras. Descobri que podia continuar a conhecer eternamente e infinitamente locais países ou regiões, mas que continuava sempre a ser um desconhecido para mim próprio.

Conhecia já muitos países e cidades, mas não conhecia o lugar que ocupava em mim e para mim!

Refiro-me àquelas viagens em redor de nós,.. em estarmos quietos e compreendermos o que olhamos, ainda para além da nossa pele, mas já para cá daquele espaço com que o corpo interage direto aos apelos próximos, da envolvente, empatia, efeito de plateia, odores, arrepios,.. essa coisas todas!

Quando temos o saco cheio de lembranças há dias que nos dá para de lá sacar cenas de
memórias bem antigas.

Foi a revista Bike, desconfio que o número 7, que, ao folheá-la, mudou a minha vida para sempre...
Nessa revista, atirada para a minha mão para me distrair e ajudar a compor uma lenta tarde
numa esplanada de Sintra por uma querida amiga, escolhi e descobri a magnifica e já mítica
Proflex 857.
E também constatei que se organizavam passeios de BTT pela zona saloia preparados por umas
magnificas pessoas do Departamento de Desporto da Câmara de Sintra.
Estávamos nos primórdios do BTT, nessa altura não havia maratonas de 3000 pessoas.
Depois de uma prova destas esses trilhos ficam sem arestas e mais suaves? Nos trilhos do
caminho pedestre de Santiago já passaram centenas e centenas de milhares de solas e
também, nos últimos anos, alguns pneus!
Com a aquisição da Proflex 857 comecei a ir a todos os passeios que se realizavam no Pais!
Nessa altura aos passeios iam 20 ou 30 pessoas, e por esse facto, associado ao cumprimento
periódico de um desejo comum, facilmente nasciam amizades e o desporto enraizava-se!
Cabra Montez, José Neves, também operavam na natureza.

Não é saudosismo bacoco. Só que com a massificação e as amizades virtuais desvanecem-se os
objetivos das amizades verdadeiramente desportivas!
A natureza também fazia parte da lista de amizades adicionadas, e restos de embalagens de
barras energéticas nunca ficavam para trás após consumo, com esse típico gesto displicente de
desapego. Éramos cuidadosos com a mãe natura.
A cidade para todos, aí pelos anos 1990, ainda era uma afronta. Longe estava da beleza
cultural da atualidade.
Havia mais carros nas artérias viáveis, menos rotundas ou túneis. O trânsito caótico da semana
e o desespero das limpezas ao fim dela por parte de um dos elementos do casal, empurravam-
nos para atividades reminiscentes duma infância distante e feliz.
A banca emprestava para comprarmos brinquedos!
E nessa revista dois BTTistas descreviam o caminho de Santiago francês com todos os detalhes
que religiosamente gravei na minha memória.
A revista também ficou à cabeceira dum sonho!
Como chegar a Roncesvailes e tirar a carta de peregrino, como se pode comer e dormir, o que
levar, quanto se gasta?
… Essas coisas que agora centenas de nós professoramos com elevada arrogância! eh! eh! (até
eu já o fiz!) ... e estou a fazer? ... humm!

Após 3 anos de prática com a nova maquina de duas rodas (ainda a conservo!) aí estava este
vosso amigo que agora vos incentiva, a subir para o sud Express rumo a Irum.
Nesse longínquo artigo descrevia-se a fonte que jorrava vinho, falava-se da cruz de ferro e de
outras curiosidades…
Os montinhos de pedrinhas que me surpreenderam e impressionaram (comoveram!!!) por
acaso nesse artigo estavam omitidos! Conhecem? Falei já deles numa cronica anterior.

Estar em forma e fazer um caminho deste tipo pelos trilhos pedestres montado numa todo o
terreno é brutal.
Brutal de bom!… Entenda-se! Apesar de nos primeiros dias alguma precipitação me ter
causado contratempos físicos e mecânicos que me molestaram e me fizeram sentir um grande
bruto!
- Você é francês? Perguntava a eremita algures num monte ainda perto dos Pirenéus.
- Não! Português, Lisboa…
- Mas olhe que sobe como um francês… Era um elogio…
Estava a galgar em subida acentuada com grandes valas entremeadas de pedregulhos.
Sim, vinha em boa forma de Portugal, mas isso não me impediu de desenhar grandes palhaças
no espaço que o caminho tinha para oferecer!
Recordo com angustia os primeiros “tralhos”. E também começar a receber como que uma
corrente de pensamentos vinda das minhas origens religiosas a alertar me para o facto de que
não estava numa corrida, mas a viver um percurso (tal como é a caminhada da vida) percorrido
por locais numa sequência temporal, tal qual é o nosso dia a dia.
Tenho para mim que uma peregrinação deverá ser realizada a solo, sobretudo para não nos
distrairmos, em conúbio com a envolvente paisagística, deixando em aberto os contactos
humanos a realizar e a surgir como que vindos do exterior a nós, sempre de pessoas em
comunhão da estrada e dos mesmos locais.
Então, despidos de preconceitos e falácias, a amizade surge de fora e não dos amigos que já
levamos e com os quais nos confrontamos nos ruídos sem que o percurso surja na nossa
essência.
Em minha opinião, se todos os dias repousarmos bastante e tivermos cuidado com o que
ingerimos, e se algum tempo antes cuidarmos da preparação física, durante o caminho,
qualquer que ele seja, dá se uma purga e o essencial volta.
Desse modo o excesso parece-nos já aleatório e desprovido de sentido.
Lá estava a fonte a jorrar vinho, a bota do ciclista falecido num nicho encerrado, a Cruz de
Ferro.
E surge o imprevisto encontro com um casal de ciclistas espanhóis, e a entrada de 7 ciclistas
numa povoação já bem no final de um dia da Agosto de 1998, todos quase desesperados à
procura de alojamento.
Quem nessa noite nos acolheu foram as freiras de um Convento.
O que o Juan exigiu para o jantar foi massa, MUITA MASSA. Sim, porque após tão enorme
esforço necessitávamos de calorias.
Tinha conhecido esse casal dias antes quando por estrada rachei o aro e por alcatrão
procurava uma oficina.
No outro dia acompanhei-os um pouco na subida da parte mais dura do percurso e percebi a
razão de tanta massa muscular e do cuidado de Juan com a alimentação.

Ele com um cordel puxava a esposa, literalmente, pela encosta acima.
Em tempos tinha também corrido na volta a Espanha.
Ficámos amigos e voltei para os trilhos, e deste modo era natural que nos fossemos
encontrando, como de facto foi acontecendo. Esses encontros eram festas como se de velhos
amigos nos tratássemos.
Com outros recusei sempre fazer grupo, por mudar desse modo hábitos e ritmos de
pedalagem.
Temos que saber estar connosco, e de facto aprendi.
No somatório de muitos km após ter enveredado por uma peregrinação mística, e ao começar
a desmontar e a meditar em cruzeiros e capelas de oração, a harmonia de corpo e alma foi
surgindo.
A partir do terceiro dia o rendimento físico subiu, a concentração estava ao máximo, e quase
não estranhei quando nos dois últimos dias senti a força de Deus.Que outra força era aquela?
Havia como que duas mãos que me empurravam e me guiavam o caminho. A bicicleta, o trilho,
e a natureza envolvente eram minhas amigas. Todos parecíamos feitos da mesma matéria e
saídos do mesmo lugar. Andará por aí o equilíbrio, a euritmia e a grandeza?
Quando subi o Monte Gozo e cá do alto avistei Santiago, desfiz me em lágrimas e chorei.O
importante é o caminho e tinha terminado.Pelo meio conhecem-se personagens de
características distintas.
Por exemplo: uma mãe galinha que acompanhava, numa roulote em estilo caravana do GIRO
(Vuelta!), o filho que ia numa bicla estradista, e que o punha a fazer alguns km antes da boleia
para o albergue mais à frente!

Isso intrigavam-me! Sim, eram italianos. E um dia, já muito depois de Burgos, constatei que a
roulote se encontrava estacionada e silenciosa em local aprazível. A minha pessoa seguia
lentamente por estrada com a roda rachada em direção ao Sol.
De salientar que aquelas estradas do caminho de Santiago Francês parece que nunca fazem
curvas, que são sempre retas em direção ao sol poente onde se encontra Santiago.
Numa dessas retas infinitas onde não havia ninguém, nem carros, nem carroças, nem lebres a
atravessar a estrada... só o silêncio e os esbatidos ocres da Província de Leon, oiço
abruptamente atrás de mim um grande estrondo!
Olho e observo uns olhos esbugalhados aos pulos e muito comprometidos.
O raio do Imberbe Italiano (aparentemente parecia miúdo mas já andava nos vinte e tal
aninhos!) veio bater em mim violentamente numa reta onde não circulava mais ninguém.
Poça! Imaginam o susto!
Também o lixei.
Apontei para o aro que trazia rachado e disse-lhe em italiano cavernoso que ele e a sua mamã
me tinham que pagar o raio do aro!

E ele abanava nervosa e afirmativamente a cabeça como se de um boneco elétrico se tratasse.
Já me estava a santificar e desmenti... ... ah! mas ele também se assustou!

FIM
Texto escrito em 2009 sobre o Caminho Francês efectuado em 1998 pelos trilhos pedestres
 As imagens são do Caminho do Norte realizado em 2018 (pelas vias de asfalto)
Eliseu



























BOA VIAGEM













MORADIA UNIFAMILIAR BIO-CLIMÁTICA - “TOCA DO URSO”Memória Descritiva A – TEMA Moradia uni-familiar direccionada ao segmento de mercado médio-alto, de formalismo contemporâneo, tipologia T3, a edificar num lote de terreno com vista de mar ou rio, que traduza inovação, arrojo, audácia, tendo como linhas orientadoras a utilização de energias renováveis, o uso de sistemas bio climáticos e de sustentabilidade e uma boa relação entre as tecnologias aplicadas e o custo da obra. B – LOCALIZAÇÃO O sitio é em Admoço no concelho de Oleiros perto de Castelo Branco A aldeia de Admoço, pertence à freguesia de Cambas e situa-se na margem direita do Rio Zêzere. Existe nesta aldeia um pequeno areal que é aproveitado no verão como praia. O terreno nesta região é rico em Xisto São 24 as Aldeias do Xisto distribuídas pela Região Centro, num território de enorme beleza que oferece experiências únicas. Encante-se com estas 24 aldeias tradicionais, escondidas entre serras de vegetação frondosa e as suas casas feitas de xisto, a rocha mais abundante na região. As várias tonalidades desta pedra, também usada nos pavimentos das ruas estreitas e sinuosas, misturam-se de forma perfeita nas cores da paisagem natural. Xisto Xisto é o nome genérico de vários tipos de rochas metamórficas facilmente identificáveis por serem fortemente laminadas. Em linguagem popular, em Portugal é também conhecida por "lousa" (e, por extensão, designa-se como "terra lousinha" aos solos com base xistosa). A argila metamorfizada, devido ao aumento de pressão e temperatura (metamorfismo), torna-se primeiro um folhelho e em seguida, ao continuar o metamorfismo, passa a ardósia, que vira filito, que finalmente passa a xisto. Ou seja, a sequência de formação é argila - folhelho - ardósia - xisto – gnaisse. O xisto e a arquitectura A arquitectura das aldeias serranas tem como principal elemento o xisto, predominante na geologia da serra. Na construção das casas é ligado por argamassas de argila ou simplesmente apoiado por sobreposição, sendo esta última técnica frequente no caso dos currais, espaços para guarda de animais. Para a estrutura das coberturas é utilizada madeira de castanho e pinho revestida depois com colmo e lagetas de xisto, mais recentemente com telha de canudo. As portas, janelas e soalhos do piso superior são igualmente construídos em madeira. Este piso era amplo e escuro, com bancos compridos e uma lareira cujo calor era aproveitado para secar a castanha disposta num tecto falso de ripas de madeira – o “caniço”. Geralmente as construções estão intimamente ligadas ao acidentado do terreno que lhes serve de suporte, apresentando um ou dois pisos e muitas vezes sobrepondo-se entre si. Criam-se assim formas irregulares que lhe conferem uma imagem singular pela sua diversidade e riqueza. Era costume encontrar à porta das casas entre uma e três pedras em bico que serviam para afastar o mal. C - PRINCÍPIOS DE INTERVENÇÃO “The more our world looks and functions like the natural world, the more likely we are to endure on this home that is ours, but not ours alone” O projecto assenta na Biomimicria, sendo o reflexo da análise e reunião de elementos inspirados no mundo natural, com especial ênfase em dois tipos de habitat: - a cova do urso (para o isolamento térmico) - o formigueiro das térmitas (para a ventilação) A emulação da forma e processos presentes nestes habitats naturais, na criação de uma arquitectura mais humana e sustentável, constituiu a espinha dorsal deste projecto. Paralelamente procurámos alargar o conceito da sustentabilidade introduzindo outros princípios, que temos como incontornáveis: o da multifuncionalidade e flexibilidade espacial, estrutural e construtiva e o da casa lúdica e sem necessidade de empregada. 1 – A toca do urso “Habiter la Terre et dans la terre, c’est d’abord habiter” Vários animais homeotérmicos como o musaranho (Soricidae), o ouriço (Erinaceidae), o noitibó-de-nuttall (Phalaenoptilus nuttallii) ou o urso-pardo (Ursus arctos), durante a hibernação ou a estivação, procuram uma gruta ou cavam uma toca no solo, onde a temperatura não tenha grandes amplitudes térmicas e onde os níveis de humidade sejam constantes e pouco acentuados. À semelhança do mundo animal, desde tempos ancestrais, que o Homem enquanto, também ele, ser homeotérmico, sempre buscou uma habitação com características endotérmicas, isto é que mantivesse uma temperatura “corporal” relativamente constante. Na história da arquitectura há inúmeros exemplos de residências, complexos conventuais ou militares e outras estruturas e espaços construídos enterrados ou parcialmente enterrados. São bem conhecidas as habitações enterradas na Turquia, na China e na Tunísia; ou o caso do “serdab” no Iraque e no antigo Egipto. Também em Portugal existem inúmeras estruturas enterradas; refiram-se apenas como exemplo, o Forte de Sacavém, o Convento da Saudação em Montemor-o-Novo ou as casas de Fresco do Antigo Paço dos Sanches Baena ou do dos Machados em Vila Viçosa. Nestas estruturas construídas enterradas as temperaturas constantes, sem amplitudes térmicas consideráveis, são um dado adquirido, sendo que no Verão a temperatura do solo a diferentes profundidades é sempre mais fria que a temperatura do ar, verificando-se o inverso no Outono e no Inverno. Tendo presente a toca do urso, optámos por enterrar parcialmente a casa de molde a garantir a inércia térmica. 2 – O Formigueiro das térmitas Algumas térmitas (Termitidae) constroem gigantes montículos de terra nos quais criam uma fonte primária de alimentação: um fungo que necessita ser mantido a uma temperatura exacta (30,5º), enquanto no exterior as temperaturas sofrem grandes variações (de 40º a 1,6º). Esta temperatura constante é obtida por um sistema de correntes de convecção cuidadosamente ajustado, através da constante abertura e fecho pelas térmitas de uma série de túneis de aquecimento e arrefecimento que percorrem o interior do montículo. Seguindo o exemplo da ventilação feita pelas térmitas através do complexo conjunto de chaminés e túneis do seu habitat, a casa possui vários tubos que assumem simultaneamente funções de ventilação e de drenagem de águas. 3 – Plurifuncionalidade e Flexibilidade Como referimos, na idealização deste projecto empenhamo-nos em frisar não só a sua multifuncionalidade - concebendo a casa, para além das tradicionais funções de refúgio e morada, também enquanto parque infantil, enquanto parque de jogos, enquanto espaço polidesportivo, etc. -, mas também e sobretudo, a sublinhar a rentabilização dos diversos espaços, estruturas, elementos, a serem utilizados, mais ou menos indistintamente, para outras finalidades. Assim, por exemplo, os tubos de ventilação e drenagem de águas servem igualmente como eixos de comunicação entre os diferentes pisos. Por outro lado a casa deve ir ao encontro de uma realidade e de um quotidiano cada vez mais flexíveis e mutáveis: separações e reuniões, parentes e amigos que partem, outros que regressam, adoecem, mudam de profissão. A flexibilização dos espaços e estruturas constitui-se igualmente como factor prioritário no projecto. Através de paredes embutidas com porta de homem e de armários pivotantes, propomos 3 quartos que se podem transformar em 4; uma biblioteca pode ser alargada ou desaparecer e transmutar-se num quarto grande; no quarto de casal a cama é suspensa através de carris no tecto, semelhantes aos das gruas de pequeno porte, que permitem desloca-la em vários sentidos.
4 – A casa lúdica e sem empregada Uma casa é um espaço onde nos queremos sentir confortáveis e onde as crianças (e adultos) possam brincar em segurança e liberdade. Mas a fruição plena da casa não pode e não deve ser condicionada pelas questões que se prendem com o seu asseio e conservação. Entender a casa enquanto espaço lúdico no qual as tarefas de limpeza e manutenção, possam ser amplamente facilitadas e reduzidas ao mínimo, constituiu um dos pressupostos base do projecto; e ainda que pecando por algum empirismo, estamos em crer que as propostas aqui apresentadas podem, após devidamente testadas, servir futuramente a todos os que desejem uma casa que não dê preocupações, mas simplesmente bem-estar e prazer. Assim à utilização dos tubos de ventilação, como tubos de drenagem e como eixos de comunicação entre pisos, soma-se uma ulterior funcionalidade, a lúdica, uma vez que os tubos são concebidos como escorregas a serem usufruídos tanto por crianças como por adultos. Andar de escorrega na idade adulta quanto a nós é apenas uma questão cultural. Do mesmo modo, algumas rampas que vencem pisos são colocadas junto à parede sendo curvas nessa zona; nas bases terão uma elevação contrária à descida de modo a contrariar o desnível (no caso de se deixar descair um carrinho de bebé ou um carrinho de compras) mas permitem igualmente servir de rampa para a prática de desportos radicais como o skate ou a Bmx. Um exemplo de coexistência harmoniosa entre gerações: avós e netos só têm que aprender a conviver! Para facilitar a manutenção e limpeza da habitação, não nos limitamos a optar por armários e loiças sanitárias embutidos nas paredes. Eliminamos ângulos ao nível do pavimento (pelo menos em faces opostas - encontro das paredes com o pavimento) e colocamos por baixo dos móveis linhas de água de pressão considerável que empurram o lixo até uma grelha, localizada a meio do compartimento, munida com uma bomba de sucção; linhas de ar comprimido a todo o comprimento dos móveis e junto das paredes servem a secar os pavimentos depois da lavagem e simultaneamente a limpar do pó. PROGRAMA DESCRIÇÃO DOS ESPAÇOS O espaço cumpre sempre as áreas estabelecidas no programa do concurso, mas optamos por criar espaços com pé direito duplo de modo que o ar circule por “convecção” natural. Neste duplo pé direito o piso superior comunica com o inferior através de um túnel-escorrega (para adultos e crianças) e de um pilar escorrega como os tubos de descida nos quartéis dos bombeiros. A parte social da casa, concebida em forma de iglo, é totalmente enterrada, a uma profundidade entre 5m – 12m. Na sala, uma grande zona de estar mais enterrada (almofadada) tendo no centro um “recuperador de calor” e chaminé a subir no meio da sala com pé direito duplo. Os quartos são semi-enterrados, ficando a zona de duches enterrada a 5m. Toda a zona enterrada é coberta por uma lage que funciona como elemento de impermeabilização do solo, canalizando simultaneamente as águas pluviais para depósitos. Piviligiam-se as coberturas verdes, relva, hera, arbustos. A pala, talvez em estilo “brutalista”, fica aberta, permitindo a coacção do sol respeitando a sua inclinação. Nalgumas áreas não se recorre a telas ou isolamentos térmicos: a primeira lage superior da zona de estacionamento recolhe as águas das chuvas; alguns metros mais abaixo, em toda a periferia da zona enterrada e até uma profundidade muito acentuada, será feita a drenagem das águas das chuvas e dos diferentes níveis freáticos, o que permite ter uma terra não húmida. Aquecimento Dada a incorporação da habitação na terra, a grande massa das paredes permite um elevado quociente de inércia térmica.O aquecimento do sol coado através de palas respeitando as inclinações dos diferentes solstícios a par das pérgulas com trepadeiras e a colocação de árvores de folha caduca diante dos vãos a sul permitem um aquecimento natural. As paredes trombe bem calculadas e o cuidado no detalhamento e execução de vãos e caixilharias contribuem para a estabilidade da temperatura, que sofre variações térmicas insignificantes. A moradia é servida por um elevador movido a energia fotovoltaica, coadjuvado por uma escada toda escavada no terreno, tipo túnel de mineiro, que arranca da zona mais enterrada da casa e que, de um modo periférico, serve de escape - saída de emergência dos diferentes pisos, assumindo igualmente a função de chaminé de ventilação e de túnel para drenagem das aguas que se introduzam no terreno por capilaridade, uma vez que entre a escada e a periferia oposta à moradia serão colocados vários tipos de cascalho e drenos. Existe igualmente uma rampa de acesso exterior, semi-coberta. Os tubos de ventilação são colocados a uma distância de cerca de 5m na zona sul da casa: estes tubos, com a altura aproximada 1,70m, são enterrados até 4m de profundidade e entram na zona enterrada dos quartos, a norte. Um outro tubo (ou o mesmo) segue para uma chaminé (7m de altura) colocada na parte superior da encosta. Corredores muito amplos servem de espaços multi-usos: trabalho domiciliário, ginásio, lazer (rede de pendurar para descansar), brincar (jogar à bola sem receio de partir vidros porque são duplos e espessos); a ligação em curva da parede e do pavimento pode servir como rampas de skate ou patins. Propomos vários tipos de ângulos e que a monomassa do pavimento suba até a altura de 1m acima da curva nos locais onde não há móveis. As rampas que vencem os pisos na sala de estar estão também junto à parede e desenvolvem-se na linha do diâmetro da cúpula; para alem da inclinação um pouco mais acentuada que o definido na legislação, serão também curvas na zona da parede; as bases das rampas terão uma elevação contrária à descida de modo a contrariar o desnível. Nos tubos de ventilação que da chaminé passam pela zona de garagem e vão directos à sala, à cozinha e até aos quartos propomos uma porta, tipo alçapão do lixo por sucção, estes tubos permitem ser utilizados como escorregas, visto a inclinação ser muito suave não ligarem directamente com o tubo que faz a ventilação, localizado 4m mais abaixo do que a zona dos quartos. Sublinhamos que assim que um corpo humano ou animal entra no tubo (porque se constitui como uma onda de calor), se acende uma linha de luzes leds que se apaga automaticamente após a descida desse corpo. Em toda a casa só existem portas de correr; nalguns pontos, para compartimentar o espaço, optou-se por paredes “pivotantes” ou de recolha à parede. Numa concepção que pressupõe a total integração do mobiliário na arquitectura, os móveis são em madeira, embutidos e encastrados nas paredes sem tocar nos pavimentos, criando-se as paredes e o pavimento uma superfície côncava. O pavimento será uma monomassa lisa sem textura nem alhetas até aos móveis; por baixo destes existe uma linha de água (com ligação individualizada em cada compartimento) de elevada pressão que empurra o lixo até uma grelha colocada no meio da sala e munida uma bomba de sucção. Paralelamente, por baixo dos móveis, em todo o seu comprimento, e junto da parede, até uma altura de aproximadamente 20cm, existe uma linha de ar comprimido, que sairá a grande pressão, assumindo uma dupla função: secagem a pós a lavagem do pavimento e limpeza do pó. A grelha do pavimento (da mesma cor deste), para além da bomba de sucção da água, está equipada também com um potente aspirador, encastrado longitudinalmente por baixo desta. Este processo poderá ser usado em todas as compartimentações da casa com excepção das instalações sanitárias: aqui basta que o ralo de escoamento de águas, colocado no centro do pavimento, tenha a função de sucção de águas. Abastecimento de água Em Portugal chove em média 50 dias por ano e aproximadamente 600 litros por metros cubico. As famílias portuguesas gastam em media 15metros cubicos de água por mês. Fiéis ao princípio de rentabilizar ao máximo os recursos naturais existentes, privilegiamos o aproveitamento das águas pluviais cuja utilização apresenta inúmeras vantagens: a poupança e a autonomia quando ocorram falhas na rede pública; impede a incrustação de calcário nos equipamentos (esquentador, máquinas de lavar roupa e loiça); no banho é aconselhável para a pele e deixa o cabelo mais suave e macio. O projecto propõe o aproveitamento da água das chuvas através de dois tipos de cobertura e para dois depósitos distintos. O primeiro, colocado na cobertura da garagem; esta será toda coberta por painéis fotovoltaicos e terá uma superfície de 50m2; o depósito, com capacidade para1500 litros, é em plástico preto e localiza-se numa concavidade da encosta virada a sul, toda ela forrada de espelhos de modo a ampliar os efeitos dos raios solares; esta concavidade terá um alçapão electricamente isolante que encerra automaticamente assim que a intensidade solar diminui. O segundo depósito, com uma capacidade de 2000 litros, faz-se ao nível da grande lage de soleira superior ao nivel da garagem; as águas recolhidas destinam-se à rega automática do jardim bem como às lavagens de pavimentos, viaturas e outras. A recolha das águas é feita através de pendente passando primeiro por um crivo para separar os objectos estranhos (folhas e outros detritos). Depois o depósito que no primeiro caso (duches, banhos de imersão e lavagens de roupa e loiça) o próprio depósito que já existe no mercado funciona como “decantador” natural para as impurezas em suspensão e traz uma banda hidro pneumática para chegar aos depósitos secundários (caso dos depósitos dos duches dos quartos) ou ao utilizador (caso das torneiras da cozinha); ao abrir a torneira é seleccionado automaticamente o depósito com a temperatura mais próxima da escolhida por o utilizador. De salientar que ambos os depósitos serão ligados à rede de águas externas através de um sistema de boiador eléctrico de modo a garantir reservas permanentes. MATERIAIS EMPREGUES O vidro, painéis fotovoltaicos, a pedra da região agrafada e o betão e as telas ou pinturas impermeabilizantes nas coberturas ajardinadas. Os muros de sustentação de terras são em aparelho ciclópico, em pedra da região, tendo como elemento consolidador a Junça (Cyperus rotundus), à semelhança de quanto utilizado nos antigos açudes de estações de moagem. A Hera (Hedera helix), cobrindo pérgulas e muros de pedra aparelhada, serve simultaneamente como elemento decorativo e como elemento de sombreamento. De salientar que entre os painéis fotovoltaicos ou o vidro “agrafado” e as vistas haverá sempre arbustos que não seguem nem perturbem a visão. Os reflexos provenientes destes painéis, dado estes estarem expostos a sul e em zonas ou superiores ou muito baixas, são encobertos pelos muros de suporte em pedra ou por manto verde os seus, não causando qualquer perturbação











PATINO, LOGO PENSO
Patinava com os pensamentos enquanto alimentava o desejo de chegar ao computador e entrar no mundo digital. Agora temos uma dúvida e carregamos numa tecla e entramos na maior biblioteca de sempre, a World Wide Web.

Andamos a perder a magia do tempo necessário para descobrir e analisar as incógnitas, dúvidas ou segredos!

Um dia destes saio da frente do computador e passo uma tarde na Biblioteca Nacional, tranquilamente, como quem ainda está a meio de uma tese de doutoramento! :)

"Mas onde vives, caro amigo?", digo de mim para mim já em voz alta, enquanto olho um dos raros sinais vermelhos que confronto e espero! E surpreendo o puto arrogantemente engravatado que passa apressado na passadeira !

E de repente, na distracção, as minhas recordações dispersam.

É sempre por estes caminhos que muitas vezes me interrogo sobre se a velocidade com que desbravamos a cultura ou as distâncias entre espaços não nos estará a tornar seres mais cultos, certamente, mas também mais ansiosos e extremamente ávidos de tudo, inclusive do tempo?

O meu meio de deslocação é lento mas percebo perfeitamente que a velocidade é uma exigência quase espiritual para onde a tecnologia nos vai empurrando.Desejamos possuir o tempo todo do mundo desfrutando da maior quantidade possível de espaços!

Mas depois ficamos sem tempo. E até já somos clientes de bancos do tempo! E os espaços tornam-se incompreensíveis ou apenas abstracções!

Se não fazemos retiros de contemplação ou ioga, vamos para ginásios, inventamos emoções ou criamos actos que, por se realizarem em exagero, quase me atrevo a apelidar de mesquinhos mas que nos tornam quase épicos e nos identificam com magnânimos heróis! Estou a referir-me à grande proliferação dos jogos electrónicos!

Talvez já há uns anos esteja à procura da simbiose que os tempos de expressão diferentes necessitam. O tempo da expressão do corpo e o tempo da contemplação dos agentes interiores!

Quais as exigências mais significativas na complexidade do eu?

Tenho resumido as minhas deslocações a uma interminável peregrinação. É nessa distância lenta que procuro a associação do corpo com o espírito.

Outros dizem que é a dialética do corpo com a alma mas eu, com as rodas no asfalto, prefiro dizer que em todos os quilómetros que faço o que procuro é a satisfação saída de dentro para fora pelos rascunhos expressivos de todos os órgãos corporais que, para me deslocar, têm que agir comigo e em função da minha pessoa.

Há como que um libertação de todas as entropias, uma expurgação da desordem.

Ou seja tento manter o corpo como uma máquina da mobilidade mas sempre associado a uma impertinente estrutura  mental.

E ao patinar, volto a olhar a cidade e a deixar o pensamento para trás.
Eliseu





Tem que deixar que todas as pessoas saim.... Diz me o segurança no fianl do espectaculo no Maria Matos..
Muito agradecido por me terem deixado guardar a bicla no bengaleiro esperei pacientemente que todos os espectadores .terminassem a conversas cultas ou  de ciscunstância sobre uma espectacular peça de teatro que me transportou á innfãncia Moçambicana! 

Estava com uma bicicleta que talvez seja a que melhor se adapta ou meu corpo e responde ás solicitações mas é feia...feia ..ou melhor penso que ela já é muito indigna de um estilo que pretendo ..

 Pelo menos na cultura envolvente  temos sido educados  a usar o que para alem de confortavel, parece ser !
O parecer com base num imaginário de glamour é fundamental

 Sou tambem muito influenciado pelos criativos que pela forma e o conceito criados me transportam a  essas fantasias  onde me sinto bem..
A bicicleta que agradou tambem a um ladrão era  o meu rosto, o meu espelho., o meu desejo , o meu orgulho...A BELA...observa a foto de baixo_ é bela , não é?


A vaidade colorida de orgulho  que sentimos por uma bicicleta que  admiramos parece me sempre inversamente proporcional ao constrageimento  por outra que julgamos feio e pouco digna de um estilo que cultivamos.

.Sou de facto vaidoso não com o meu aspecto fisico que como ciclista diário me prejudica ao quadrado... Ainda é verdade!
...Mas
Com as bicicletas gosto de compensar a desporporção qe tenho em relação aos ouros cidadãos que se apresentam com automoveis de elevado desing e elegantemente vestidos, sem nenhum indicio de suor no corpo perfumado :)

Há 22 anos a Proflex  da imagem foi motivo de orgulho... era desejada e atá a pintei de preto com medo que na montanha quando nos interminaveis passeios em solitário me assaltassem de tão vistosa que ela  era..

Como um objecto sedutor e motivo de desejo se transforma com o tempo num MONSTRO?

Porque mudam os gostos?... Olho para ela...a tipa é uma coleção de boas recordações!...apesar de se sentir o uso e o desgasde no material  e claro que a sua  imagem tem a  marcas do tempo... tal como um automovel...ela está datada _ tem o rosto de 1995

O outro dia na festa de encerramento de Arquitecturas Film Festival da Trienal de A. de Lisboa no Forum Alvalade onde sempre com um rosto simpatico tenho até agora conseguido que me guardem sempre a bicicleta com  que me desloco...
Quando desejei sair tive que ir por portas travessas e trazeiras!... Não teria aceite se estivesse com a BELA... Teria exigido sair pela porta grande e sorria para as entidades oficiais que de champanhe na mão festejavam a cultura e a transformação das cidades ..!..
Com a BELA  há cinco anos apresntei-me no MUDE ( museu do design e da moda) na receção e pedi  que ma guardassem enquato via a exposição...e lá ficou ela como se fosse um casaco uma bengala ou uma cadeira de rodas...

Nestes 3 espaços tem havido  compreensão , mas foram  sempre  excepções... !
(Mas  MUDE MUDOU_já levei tampa )

  Tem ou não pelo menos todos os edificios publicos que assegurar a guarda de um objecto suave sem motor como se de uma bengala ou cadeira de rodas se tratasse? _ A nossa bicicleta....faz parte de nós ... Definiram nos até um modo de estar e de viver...somos inseparavies...( para um ciclista diário...os que andam sempre..com sol, vento  ou chuva!
( Mas quando as GIRAS estiverem por toda a cidade , deixarei de ser chato e de escrever nos livros de sugestões ou reclamalºões! ) 

Uma bikla  afinal não ocupa assim tamto espaço!... A Relação entre espaço de utilização e de apoio tem nestes ultimos anos crescido muito..
As bicicletas tem infelizmente sido  sempre despresadas
e
"são para ficar lá fora."  é a fraze que mais oiço aos representantes da gestão num edificio publico ou privado..._ os porteiros e agentes de segurança..
 .. "Tem com que amarra-la ?".
.Perguntam me até nos edificios  Camarários ( bibliotecas , arquivos, C-M-L ) e  me apontam uns ferrinhos a largas dezenas de metros...

... Os estacionamentos enterrados são uma novidade recente em todos os edificios urbanos..
 As salas de conduminio, as zonas de quarda de lixo,  os bengaleiros , inventarqam-se e cresceram em dimensão com os  amplos halls de entrada supra dimensionaram se ..e a bicicleta foi  despresada , até há pouco tempo não era elemento digno de publicidade e aliciemento !
  
Então? :)



Obs:
A BadBoy era excelente em cidade ..mas pessima em estrada.!
.. A ProFlex foi insuperavel em montanha ..(1995 a 2000) .depois extraordinária estradista _ este MONSTRO .tem sido a substituda na cidade da BELA!