ATENTADO AO PATRIMÓNIO



A nossa cidade tem dignidade e é muito bela e por tal motivo muito desejada e visitada.

Não podemos permitir que a especulação imobiliaria destrua o nosso  património e sacrifique aqueles que a vive há muitos anos!

Alguns habitantes do edifício nu n.º38 da Rua do Terreirinho pedem que seja travada a subida do telhado do edifício na Rua do Terreirinho nº 39 e 41.

Se a legislação existe é para proteger o cidadão e o espaço que cria e desenvolve permanentemente para a sua felicidade - a Cidade é sem duvida a mais bela invenção do homem. E será o local onde promove toda a evolução que ambicionamos. É ou não a cidade o local da confrontação da mistura e do respeito? E são de facto as instituições publicas e os seus responsáveis pela harmonia na cidade

Caros arquitectos que licenciaram o nºs 39-41
Permitam me a pertinente questão. Se tivessem há muitos anos investido toda a poupança para viver numa casa com luz e vistas onde muito por esses motivos se foi feliz e um dia, o edifício baixo em frente de onde vivem subisse dois pisos e vos retirasse vista e luz?

Penso que tal se deve a o edifício se encontrar inserido numa área com o traçado urbano do tipo A, conforme plantas em anexo, que segundo o PDM de Lisboa em vigor pode ter uma altura máxima de fachada que só tem que respeitar a média das alturas das fachadas, segundo a alínea b) do nº 3 do artº 42º do referido regulamento. E penso que foi assim, acreditando na eficácia dos nossos colegas projectistas, que foram encontrados os 9 metros e 53 centímetros de fachada.

Seria ótimo não fosse a rua ter naquele ponto 2 metros e trinta centímetros.
Onde para o REGEU (ARTIGO 59º)?

Com a construção deste imóvel a depressão tem tomado conta das famílias que ficam com a rua e as suas casas mais escuras, e sobretudo daqueles que perderam a coisa mais fantástica que se possa imaginar - a vista dos seus pontos de referência para cada dia nascido ou escondido atrás do brilho da noite..
Estamos a perder a vista do castelo e de algum casario que todas as manhas nas varandas saudávamos...
Estamos a perder as mil texturas, todas as luzes de todas nas noites, todos estamos a perder as soberbas vistas das colina e de muito horizonte de casas e telhados... e sobretudo muito céu.

Com muito esforço e pena até tudo isto podia ser aceite... Porque de facto quem investe quer o retorno rápido com muito espaço para aluguer ou renda, se no edifício do nº 39 e 41 não estivesse a ser colocado um telhado com uma inclinação digna de países nórdicos onde neva - 39º (neste caso parece-me que a finalidade será criar ilegalmente mais um piso).

Esta cobertura infringe os artigos 59, 60 e 62 do RGEU, a lei nascida para proteger todo o habitante da cidade dando-lhe a luz necessária para viver com harmonia e sentimento de espaço para que não se sinta afrontado, e talvez a regra que logo desde a faculdade memorizamos, também para nos proteger da característica mais importante que uma cidade deve ter - a Salubridade.
Numa cidade com história por onde passaram as pestes temos que ser sensíveis a todas as pre-existências, sejam elas físicas ou emocionais dos seus habitantes mais antigos...
A casa da frente do nº 39 - 41 é de facto muito alta, mas foi construida para ser um convento há mais de 300 anos...
Adoramos Alfama onde se estica o braço e se cumprimenta o vizinho, mas encontrar lá casa para morar nessas circunstâncias é uma opção...
O modo como a CML pretende agora (com um projecto aprovado com base em regulamentação camarária e não Nacional) que muitos moradores passem a viver é uma perversa imposição.

Só mais uma nota... Na minha já longa carreira profissional tive muitas vezes que subir 20 cm a uma fachada...
Da janela uma certa manhã antes da pesada estrutura de betão a 39º feita para suportar um pequeno telhado vi a lápis a marcação para a cofragem. Estava 60 cm mais abaixo. É um detalhe que exigimos ser verificado.


Há neste momento um grupo de cidaão que deseja travar o Processo 1682/ Edi/ 2015

Lista das pessoas indignadas por lhes estarem  a barrar a luz, as vistas e a salubridade da via publica:

Maria Alice Neves


Laurinda de Almeida


Adolinda Amélia Ferreira  Mateus


Manuel Nunes Martins


Victor Manuel Ferreira Matins


Alda Pinto Almeida

Vera Martins Pinto de Almeida

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